& Fashion Shows 2526

A criação de música através dos synths analógicos é o ponto de partida da minha imagem sonora, mas o seu potencial revela-se plenamente quando entra em diálogo com outras áreas da cultura. É nesse cruzamento entre som, moda, património e performance que encontro um dos meus principais campos de exploração.

Em 2025, desenvolvi um DJ set para um evento dedicado à Renda de Bilros de Peniche, produzido pela Icconica. O projeto explorava a relação entre o património cultural português e a música eletrónica contemporânea, reinterpretando elementos do folclore através de texturas eletrónicas, ambientes imersivos e uma abordagem experimental. Este trabalho refletiu o meu interesse em criar pontes entre tradição e inovação, demonstrando como a memória cultural pode ser reinventada através de novas linguagens sonoras.




No mesmo ano, compus a banda sonora para o desfile da Losiento, marca fundada pelos designers José Vieira e João Manuel Pereira, apresentado no Portugal Fashion, no Porto. José Vieira integra atualmente a equipa criativa da Marques’Almeida, trazendo para a Losiento uma abordagem que cruza experimentação, cultura urbana e design contemporâneo. A coleção TURBO refletia sobre a aceleração da sociedade contemporânea, explorando a velocidade, o excesso material, a cultura automóvel e a identidade digital. A composição sonora foi desenvolvida como uma extensão dessa narrativa, recorrendo a texturas eletrónicas, ritmos industriais e ambientes imersivos que amplificavam a sensação de movimento contínuo e de sobrecarga sensorial. Mais recentemente para este ano 2026, chegamos a conclusão que haveria de ser uma mini set de 12 minutos com musicas escolhidas para a coleçao Kiss me before war.



Em junho deste mesmo ano, colaborei com a marca Manel Baer na direção sonora de Apocalipsis, apresentado na Fábrica do Pão, no Beato. Concebido como um manifesto sobre uma sociedade simultaneamente poderosa e vulnerável, o espetáculo procurava refletir sobre a responsabilidade coletiva na construção do futuro, dissolvendo as fronteiras entre moda, arte, dança, performance e música. A composição foi estruturada em diferentes atos.

O desfile iniciava-se com três voltas dedicadas ao ready-to-wear, sustentadas por uma linguagem eletrónica intensa e cinematográfica. A narrativa era interrompida pela intervenção da personagem Gaia, interpretada por Merai, cuja voz lírica introduzia um momento de suspensão e introspeção antes da apresentação das peças de couture, acompanhadas por uma performance de dança. O espetáculo culminava num epílogo para piano solo: uma melodia minimalista e esperançosa, iluminada por um único foco de luz até ao blackout final, sugerindo que, mesmo perante o colapso, permanece sempre a possibilidade de reconstrução.




Estas experiências consolidaram o meu interesse pela criação de narrativas sonoras para contextos visuais e performativos. Inspirado pela forma como criadores como Rick Owens entendem o desfile enquanto experiência artística total, procuro desenvolver composições que não funcionem apenas como banda sonora, mas como um elemento estrutural da narrativa. O meu trabalho situa-se no encontro entre música eletrónica, moda, performance e património cultural, explorando o som como uma linguagem capaz de transformar espaço, tempo e emoção em experiências imersivas.



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